Eu vejo nos olhos do mundo
Todo que o mundo se transformou
Eu que cheguei ao fundo
pois o mundo me derrotou

Escrevo esse poema
Nas paredes de minha prisão
Ele não deveria ter um tema
Apenas descrever a situação
Lá fora o mundo arde
Não existe mais paixão ou amor
E todos os dias, quando cai a tarde
Meu algoz me trás seu prato de dor

Nas paredes manchadas
Desta escura prisão
O sangue que brota das fissuras
Gotejam sem ter uma razão
Aqui viveram almas encardidas
Que gostariam de fugir
Mas dentre tais misturas
Pecaram por mentir

Mas eu sei que um dia até a perpétua pena tem um fim
A pergunta que tento responder todos os dias
se todo mal que eu causei, fora causado por mim

O poema foi deixado
Na parede da prisão
Com o tempo será apagado
Pois nada dura tanto tempo na escuridão
Um epitáfio escrito na areia da praia
Num platônico desejo de existir para sempre
Este é o discurso que mais falha
Para aquele que vive do que não sente

Não existe liberdade
Para quem nunca esteve livre de verdade
Agora que não existem mais grades
Não existem mais saudades
Uma alma oca que deixa suas marcas
Impressões a sangue que já estão secas
E no horizonte, a pesada sacola com tudo que restou
No caminho de volta, com todo o resto que eu sou.

Mas eu sei que um dia até a perpétua pena tem um fim
A pergunta que tento responder todos os dias
se todo mal que eu causei, fora causado por mim