Está no meu horário de tomar remédios
Cada pedaço colorido de promessa
Meios desesperados de suicídios
Para o desesperado que não tem pressa

Está no meu horário de tomar remédios
Talvez uma aspirina, ou algo mais forte
Tarjas nas caixas, bulas com seus métodos
O comprimido desce com a promessa que a dor não volte

Está no meu horário de tomar remédios
O chocalho febril para mãos trêmulas
Nem todos foram receitados pelos médicos
A dor que eles causam com o medo de tomá-las

Está no meu horário de tomar remédios
Talvez os últimos deste dia, desta vida
Há muitos meios, destes são os mais espertos
Numa noção de vida perdida.

Está no meu horário de tomar remédios
A letra do médico é tão complicada
Alguns destes só consigo com seu intermédio…
Outros com o homem da escada

Está no meu horário de tomar remédios
E deste monstro interior morrer
Mas não tem nada que mate este tédio
Nem um remédio milagroso para menos saber.