O problema das festas de apartamento nas partes ricas da cidade são as pessoas. Não interajo muito bem com estas que, sofrem para mostrar um pouco de empatia com o mundo todo (salvo a eles mesmos). Estou encostado num canto conversando com uma guria dona de uma agência de publicidade. Ela me diz que ama Gim Tônica, ela me diz que ama “pets”, ela me diz que ama os músicos coreanos. Meu celular vibra.

“Vai comer essa menina (carinha nervosa) me esqueceu foi”?

Rebeca estava com raiva. Cenas de ciumes de alguém que ainda mora com os pais. Me pergunto aonde fui me meter. Não respondo a mensagem. Sim eu comeria aquela menina. Partiria a publicitária ao meio apenas para provar que minhas doenças psicológicas não são tão serias assim.

Quem eu quero enganar, já estou meio bêbado e achando tudo isso um saco.

Estou muito bêbado.

Foda-se.

– Você quer trepar comigo?

A publicitária não sabia o que responder. Peguei em sua mão e fui em direção para algo que eu achava que fosse o quarto. Minha mão estava leve, esperava que ela se desvencilhasse de mim e sumisse na micromultidão. Mas ela foi comigo.

Quando abri a porta era um banheiro.

Muito limpo, estava um pouco escuro, porém uma luz azulada de um letreiro de neon entrava pela pequena janelinha. Os ladrilhos brancos brilhavam um azulado plasmático. O cheiro de limpeza, talvez lavanda, invadia meu nariz. A porta abafava grande parte da música.

A publicitária tira a blusa e seus seios róseos e pontudos surgem como uma luz no fim do túnel. Começo a lambê-los e beijá-la.

Rebeca me manda uma mensagem no whatsapp.

Ela me odiava.