Desliguei a televisão e comecei a te lamber.
Seu sorriso no escuro seria visível até de marte.
E nesta madrugada de dia de semana,
onde nada é novidade além da pizza às duas da manhã.
Onde nem os cachorros latem.
O frio de uma fina chuva que cairá na madrugada
não tardará a umedecer  até o inferno.
E no meio do seu gozo, minha cabeça imaginativa
guarda um pequeno espaço para pensar nas pessoas
que mantiveram a televisão ligada.
E no meio das suas pernas, imagino quantos casais
poderiam foder livremente por toda a madrugada
independente do que a Globo, a SBT ou a Record tem a passar.

Sim, ninguém assiste à Rede TV.

Você goza, são duas da manhã. Logo precisaremos acordar
Logo o mundo tomará mais uma manhã de mais um dia.
Logo estará tão frio que precisaremos desligar o computador.
Nossos coqueiros, lá fora, guardam aos morcegos um belíssimo lar.
Você goza, hoje a noite é só sua. Fogos de artificio no fim de ano chinês.
E se a TV estivesse ligada, o jornal mostraria morte, desgraça, política e futebol.
Não tenho paciência para futebol.
E a garrafa de rum no guarda-roupa já acabou.
Mas minha insônia, oh insônia, me deixe dormir para aproveitar
os sonhos bons de uma terça-feira de Fevereiro.
E com o nascer do sol, abafado dentre as nuvens
vejo que existe em nós um jeito diferente de viver.
Você me dá bom dia e nossa vida continua.
“acordei mais leve” ela sorri. Eu sei.
No noticiário matutino o repórter diz que alguém
brigou no BBB.
“quem assiste esta merda!?” Ela diz.
E a televisão perde a sua vida.