Todo dia minha vida
é parcelada,
nunca sei quando
volto pra casa.
Todo dia alguma
violência
é derramada
seja manhã
ou
madrugada,
todo dia num ônibus
lotado
meu corpo
pode ser assediado,
e a culpa nunca vai
ser do culpado.
São as mulheres
que carregam
esse fardo,
com os ombros
estraçalhados.
Parece que nosso
corpo nunca vai ser nosso,
pode ser de um desgraçado
ou do estado,
mulher e gado
pisam com cuidado
no mesmo telhado.
Um telhado de vidro,
ser mulher é sempre
fugir de um trem
fora do trilho.

– era pra ser um poema mas foi só um desabafo.