Desnuda, com o corpo impregnado de mim, foi tomar banho nesta fria manhã de Janeiro. Na televisão, com o canal evangélico sintonizado, ela me dissera que sentia-se bem em saber da existência de um inferno. Sabia que se existir um lugar de sofrimento eterno, terá vingado a todos que fizera mal a ela neste plano terreno. Não ousei em perguntar quem iria para seu inferno pessoal, pois, talvez meu nome encabeçasse a lista.

Tempos de amor e ódio.

Antes de sairmos começara a chover. A previsão do tempo é um búzios cientifico. Galgamos nossas vidas mesquinhas: ela com seu trabalho e sua faculdade, eu cuidado de alguns ativos na bolsa de valores e vivendo tal qual Bukowski. Era a magia de sempre ter dinheiro para não ter dinheiro algum. Só Comunistas e Cristãos que tratam a miséria como uma entidade.

Mas todo mundo quer comer do bom e do melhor.

Ela me ligou, eram treze horas, dissera que fora demitida.

– Onde iremos beber sua rescisão? – pergunto.