Se as luzes insistem
Persistem
quem sou eu para negar?
Cada palavra falha
Cada erro ortográfico
Cada gramática queimada
Se as luzes tem versos
Pobres versos brandos
Sem mesmo ter como explicar
No meio fio
No fio da navalha.
Não negarei
Nem darei minha outra face a tapa
Nem apagarei com a borracha da vida
Gostaria de nascer de novo
Fazer tudo diferente
Para ser igual
Meus erros me transformaram
No que eu sou
E corrigir-los seria apagar minhas qualidades
Eu insistirei em não rimar
E insistirei no breve silêncio das palavras
Porque? Pelo simples fato.
Pelo simples fato
Pelo simples fato…
E as luzes insistiram
Em me acordar
Em não me deixar dormir
Elas falaram as verdades que não escutei
As mentiras que eu contei
As lágrimas que eu fiz cair
Elas falaram para o solitário
O distante solitário
A verdade
E a mentira